Das Glebas Aforadas à Freguesia de Hoje
O topónimo remonta a uma casa isolada, construída em calcário branco em 1581. A freguesia sucede a uma povoação anterior, em S. Brás, extinta após o terramoto de 1755.
Uma freguesia de traçado harmonioso, profundamente ligada à terra e às tradições agrícolas do Vale do Freixo.
Casa Branca é uma freguesia do concelho de Sousel, no distrito de Portalegre, situada numa extensa planície no Vale de Freixo, junto à margem direita da Ribeira do Almadafe, a cerca de doze quilómetros da vila de Sousel.
O topónimo remonta a uma casa isolada, construída em calcário branco em 1581. A freguesia sucede a uma povoação anterior, em S. Brás, extinta após o terramoto de 1755.
A economia local assenta sobretudo na vinha, no olival, na cortiça, no tomate e nos cereais — com a indústria lagareira a desempenhar um papel de destaque na vida da comunidade.
A Igreja de Nossa Senhora da Graça e a Ermida de São Miguel marcam o património religioso da freguesia, num território onde a proximidade da Ribeira do Almadafe molda a paisagem.
A Igreja Matriz de Casa Branca, no Largo da Igreja, tem como data de construção 1579, segundo a Junta de Freguesia, e sofreu danos de relevo no terramoto de 1755, de acordo com as Memórias Paroquiais. Todos os anos, em meados de agosto, a freguesia celebra as Festas em Honra de Nossa Senhora da Graça, com procissão solene ao domingo. Em dezembro, a igreja acolhe os tradicionais Cantares ao Menino.
As tradicionais Festas em Honra de Nossa Senhora da Graça são preparadas com um peditório para a Quermesse, que percorre a freguesia nas semanas anteriores. Em 2026 a organização coube à Associação de Juventude «A Planície», para os dias 14, 15 e 16 de agosto. Em 2025 foram quatro dias de festa, com música, a procissão e o Festival de Acordeão Martinho Dimas.
O Rancho Folclórico «As Mondadeiras» de Casa Branca organiza todos os anos o Festival de Folclore no Largo da Igreja; em junho de 2025 realizou-se a XXII edição, que assinalou o 23.º aniversário do rancho. O grupo promove ainda a noite de São João, com marchas e sardinhas, e os Cantares ao Menino. Em 2024 representou a freguesia na Europeade, em Nuoro (Itália), o maior encontro de cultura popular da Europa.
A Casa do Povo de Casa Branca é palco do Encontro de Cantadores de Saias, cuja XII edição decorreu a 31 de janeiro de 2026, e de noites de fado. A matança do porco continua a ser assinalada na freguesia, e no fim de novembro o almoço de Natal dos idosos e reformados junta centenas de residentes.
A documentação sobre a origem de Casa Branca é escassa. Segundo Manuel Severim de Faria (1582-1655), estes terrenos pertenciam ao Conde de Sabugal, D. Duarte de Castelo Branco, que dividiu a herdade em glebas aforadas a particulares, dando origem a «uma povoação de alguns cem vizinhos». O nome terá vindo de uma casa isolada da Quinta do Zagalo, erguida em 1581 com o calcário muito branco da região, que servia de referência aos caminhantes, sobretudo aos padres que seguiam de Évora para Avis.
A sede da freguesia ficava primitivamente em São Brás, extinta depois do grande terramoto de 1755, que também atingiu esta terra. Desses tempos ficou o nome da «Feira de S. Brás» ou «Feira das Cenouras», realizada todos os anos no início de fevereiro, onde se faziam «importantes transações em porcos gordos, gados de todas as espécies, azeites». Na década de 1930, a vida económica assentava no trigo, nos montados de azinho e sobro e nos olivais.
A freguesia, com cerca de 101 km², atingiu o máximo de população em 1950, com 2894 habitantes. Os Censos registaram 1232 residentes em 2011 e 981 em 2021, dos quais 375 com mais de 65 anos. Os habitantes de Casa Branca chamam-se albidomenses.
No Monte do Álamo, sobre o limite entre as freguesias de Casa Branca e de Cano, ergue-se a Torre do Álamo, também chamada Torre de Camões, Torre do Almo ou Torre de Almadafe. Dada como de origem medieval, terá servido de atalaia e depois de residência senhorial, e nas imediações há vestígios do período romano, quando por ali passariam duas vias secundárias. A torre, com o aqueduto e o tanque anexos, foi classificada como Monumento de Interesse Público pela Portaria n.º 350/2016.
Sede da freguesia e principal núcleo populacional
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